Mercado imobiliário adere à construção verde

As construções “verdes” ou "ecologicamente sustentáveis" começam a ganhar corpo no Brasil. Entre as alternativas estão o reúso de águas da chuva, pia e chuveiro, tecnologias de aquecimento e geração de energia, tratamento de lixo e utilização de materiais ecologicamente corretos nas construções. A economia, que pode chegar a 30% em alguns casos, motiva as construtoras, sobretudo do setor comercial.

"Ao contrário do que se pensa, nem sempre as soluções são muito mais caras do que as tradicionais, é uma questão de levar a opção à incorporadora e disseminar esse conceito", afirmou Natalia Buscarino, da consultoria EcoVerde, de Minas Gerais.

Exemplo disso, o engenheiro da Construtora EPO, Guilherme Santos afirmou que a empresa começou a atuar com pequenas ações, que trouxeram grandes reduções de custo para a empresa. "Em um prédio que tem janelas amplas, de vidro, não há necessidade de acender as luzes antes das 18h. O aquecimento solar também é uma alternativa", diz.

Ano passado a empresa também criou o Programa Desperdício Zero (PDZ). A coordenadora de Comunicação e Marketing, Carolina Lara, explica que há um acompanhamento da geração de resíduos para minimizar o desperdício e realizar o descarte adequado. "As sobras de madeira são reaproveitadas em outras obras ou vendidas para empresas que precisam de lenha. Enfatizamos muito a conscientização ambiental dos funcionários e, além de promovermos treinamentos constantes, nós revertemos a renda do que arrecadamos com as sobras vendidas em churrascos e cafés da manhã, para estimular essa consciência", informa Carolina.

Na Construtora Líder, a prioridade é para materiais certificados, da matéria-prima ao acabamento. Os condomínios contam também com sistemas inteligentes de água e energia, aquecimento solar e coleta seletiva de lixo. "O consumidor final valoriza isso", diz o superintendente-técnico, Henrique Álvares de Lima e Silva.

O vice-presidente de Materiais, Tecnologia e Meio Ambiente do Sindicato da Indústria da Construção Civil de Minas Gerais (Sinduscon-MG), Geraldo Jardim Linhares Júnior, diz que esses recursos serão cada vez mais comuns nas obras. Ele lembra que, há 20 anos, os índices de desperdício giraram em torno de 30% do custo da obra e, hoje, estão entre 5% e 6%.

Para o coordenador Técnico do Sindicato da Indústria da Construção no Estado de Goiás (Sinduscon-GO), Wellington Guimarães de Freitas diz que não existe uma construção autossustentável e, sim, construções mais sustentáveis que outras. "Algumas fazem reúso de água da chuva, pia e chuveiro, aproveitam a energia solar, mas para a autossustentabilidade por completo é preciso avançar muito", avalia.

O executivo explica ainda que Goiás está muito acima da média de outros estados brasileiros no quesito obras sustentáveis, mas ainda está atrás de estados como São Paulo e Rio de Janeiro. "Esses estados estão concorrendo em quantidade de certificações com países da Europa, eles estão um pouco à frente", disse.

No Rio de Janeiro, os recentes investimentos para a Copa do Mundo e Olimpíadas, somados aos investimentos estrangeiros resultaram em mais preocupação com o meio ambiente. De acordo com números da consultoria Cushman & Wakefield, em apenas dois anos 40% dos novos prédios comerciais do Rio deverão ser considerados "verdes". A previsão da consultoria vai até 2013 e maioria dos novos edifícios ficará na região do centro. Hoje, 2,5% dos prédios comerciais da cidade são classificados como verdes.

A onda verde, no entanto, se espalha por todo o País. Prova disso é o número cada vez maior de pedidos de certificações de sustentabilidade. Só do selo Leed (sigla em inglês para Leadership in Energy and Environmental Design), o aumento em 2011 foi de 140% em relação ao ano anterior, o que fez com que o Brasil subisse do quinto para o quarto lugar no ranking dos países com mais edificações em certificação (429, no final do ano passado). Organização responsável pelo selo, o Green Building Council (GBC) faz o ranking nos 131 países em que está presente. À frente do Brasil, estão apenas Estados Unidos, China e Emirados Árabes Unidos.

O selo Aqua, da Fundação Vanzolini, é outro que apresenta crescimento. Líder no número de certificações concedidas no País - 50 até o fim de 2011, o dobro de 2010 -, o Aqua começou em 2008 analisando apenas prédios comerciais. Em 2010, lançou o selo para projetos habitacionais. Em 15 meses, foram certificados 13 prédios residenciais e um condomínio com 80 casas, quase todos em São Paulo.

De acordo com a Fundação, há propostas para outros seis empreendimentos. "Esperamos fechar 2012 com ao menos 90 empreendimentos certificados no País", diz Bruno Casagrande, executivo de Negócios da Fundação Vanzolini.

Fonte: BN Imóveis

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