Umuarama – Depois da euforia desenfreada de 2010 e dos bons resultados obtidos ainda em 2011, o mercado imobiliário brasileiro trabalha com um cenário de tendência mais estável para este ano. "Vamos ver um crescimento menor que em 2011, que foi o começo do período de ajuste", considera o analista Marcelo Motta, do JP Morgan, banco de investimentos.
Embaladas pelo super aquecimento de 2010, as empresas sofreram com falta de planejamento, quiseram crescer demais, entrar em novas regiões onde nem sempre havia escala para operar, o que acabou prejudicando as margens. E isso resulta, agora, em um ano mais “calmo”, de menos ousadia.
Segundo ele, para começar a reverter a situação, as companhias devem priorizar os resultados, concentrando as operações em segmentos e regiões onde já atuam para garantir melhores margens.
"O setor imobiliário vive um momento de desaquecimento, após um período prolongado de forte expansão", afirma o analista Paulo César das Neves, da LCA, que citou ainda a elevação dos preços de imóveis como inibidor da demanda. "É pouco provável uma queda abruta dos preços em 2012."
Em contrapartida, ainda que o cenário pareça preocupante, a perspectiva traçada pelos profissionais não é totalmente pessimista. A demanda que se mantém em níveis saudáveis e indicadores macroeconômicos como inflação e confiança do consumidor sob controle devem contribuir para amenizar a desaceleração prevista.
"O mercado imobiliário residencial está mais difícil do que antes, mas não preocupa”, pondera o analista Guilherme Rocha, do Credit Suisse. Agora, de qualquer forma, indicadores de rentabilidade das incorporadoras e construtoras serão acompanhados mais de perto, sendo que o grande evento deste ano, segundo os agentes de mercado, será o fluxo de caixa positivo
Rocha não descarta uma revisão dos orçamentos por parte das empresas para incluir um estouro de custos com obras e, entre as ponderações, recomenda que os investidores sejam seletivos quanto ao setor. "A retomada estrutural do setor vai exigir a combinação de mais clareza dos cenários mundial e local, maior visibilidade dos balanços das companhias e uma clara tendência de geração de caixa positivo", afirmou.
Fonte: Umuarama Ilustrado